A escolaridade entre empreendedoras negras tem demonstrado avanço significativo, com 24,8% delas possuindo Ensino Superior. Esse índice representa um aumento de 16,8 pontos percentuais entre 2012 e 2025, contrastando com os 8,6% observados entre homens negros donos de negócio. Um estudo do Sebrae detalha essa progressão educacional: em 2015, o Ensino Médio tornou-se o nível mais comum, ultrapassando o Fundamental Incompleto, e em 2022, o Ensino Superior alcançou a segunda posição.
Esses dados provêm da pesquisa do Sebrae intitulada “Empreendedorismo Negro no Brasil Sob a Ótica da PNAD Contínua”, que analisou o período do primeiro trimestre de 2012 ao quarto trimestre de 2025. Apesar de serem mais escolarizadas em certos aspectos do que empreendedores brancos (42,2% das mulheres negras possuem ensino médio, comparado a 33,6% dos empreendedores brancos), elas recebem menos de 56% do rendimento desse grupo.
Mulheres negras registram os menores rendimentos entre todos os grupos analisados na pesquisa, com ganhos mensais pouco superiores a R$ 2 mil. Esse valor representa 54% do rendimento de mulheres brancas que são donas de negócio. Em contraste, empreendedores brancos alcançam um faturamento médio de R$ 5.144 por mês.
Hoje, aproximadamente um terço dos empreendedores negros é composto por mulheres. Embora a participação das mulheres negras donas de negócio tenha crescido 1,9 ponto percentual desde o último trimestre de 2012, quando representavam 30,3% do total, elas ainda constituem uma minoria entre os empreendedores negros.
Apesar de sua menor proporção no universo empreendedor, as mulheres negras lideram em outro aspecto: 57,9% delas são chefes de domicílio, o maior percentual entre todos os grupos comparados (empreendedoras brancas, e donos de negócio brancos e negros). A pesquisa também revela que empreendedoras negras dedicam 33 horas semanais aos seus negócios, enquanto homens negros investem 39 horas e empreendedores brancos, 41 horas por semana.
De modo geral, o grupo feminino, sem distinção de raça ou cor, trabalha menos horas do que a média total. Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, afirma que a instituição tem implementado ações estratégicas para fortalecer o empreendedorismo feminino, mas ressalta a existência de desafios estruturais.
Margarete Coelho sugere que a divisão de tarefas domésticas no Brasil pode ser um fator contribuinte para essa desigualdade. Ela observa que a rotina doméstica atual frequentemente limita o potencial de futuras empresárias e impede o desenvolvimento de negócios liderados por mulheres. A diretora argumenta que o 'trabalho invisível', que inclui cuidados com a casa, filhos e idosos, provavelmente influencia esses resultados.