Os Estados Unidos anunciaram, nesta quarta-feira (15), a imposição de uma nova tarifa sobre produtos brasileiros importados. A medida, divulgada no último dia do prazo estabelecido pelo Escritório da Representação Comercial na Casa Branca (USTR), entrará em vigor em 22 de julho. Entre os itens afetados estão máquinas agrícolas, ferramentas, calçados, vestuário, açúcar orgânico, celulose, borracha, pedras de construção e produtos petroquímicos. Produtos como petróleo, café, carne bovina, laranja e aeronaves foram excluídos da nova cobrança.
Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, expressou preocupação com a nova tarifação, a segunda em um ano, e orientou micro e pequenas empresas (MPEs) que exportam para os EUA, ou que fornecem para grandes exportadoras, a intensificarem a diversificação de mercados. Ele ressaltou a importância da estratégia de abrir novos mercados, mencionando que mais de 650 novos mercados foram abertos por meio de ações do governo federal e da ApexBrasil. Soares também criticou a inclusão do Pix como justificativa para a medida, argumentando que o sistema de pagamento é amplamente aceito por 96% dos pequenos negócios.
Soares ainda destacou o Acordo Mercosul-União Europeia como uma oportunidade para exportadores, afirmando que “Mais do que nunca, o Acordo Mercosul-União Europeia é uma oportunidade, dentre outros acordos, que se abre para quem quer exportar, e os empreendedores podem contar com o Sebrae nessa jornada”.
O presidente do Sebrae avalia que, embora o impacto direto para as pequenas empresas não seja imediato, a medida pode afetar indiretamente a cadeia produtiva, especialmente as MPEs que fornecem para grandes exportadoras com destino aos EUA.
A decisão dos EUA é resultado de uma investigação iniciada em julho do ano anterior, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração concluiu que “políticas brasileiras prejudicam o mercado norte-americano”. Entre as justificativas citadas para a imposição das tarifas estão o sistema Pix, barreiras ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e leis anticorrupção.
Em resposta, o governo brasileiro divulgou uma nota na quarta-feira (15), repudiando a medida e afirmando que não há justificativa para as tarifas adicionais, considerando as alegações descabidas. O comunicado oficial informou que “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”.
Mercado Internacional
A última década marcou um fortalecimento da participação dos pequenos negócios brasileiros no comércio exterior. Entre 2015 e 2025, o número de micro e pequenas empresas exportadoras registrou um aumento de aproximadamente 10%, correspondendo a quase 40% do total de empresas exportadoras no Brasil.
As Américas permanecem como o principal destino das exportações de pequenos negócios brasileiros, com a América do Sul respondendo por 25,3% do total e a América do Norte por 19,7%. Ásia (19,4%) e Europa (18,6%) também expandiram sua participação, indicando uma diversificação crescente dos mercados atendidos por essas empresas.
Apesar de os Estados Unidos continuarem sendo o principal destino das exportações brasileiras, sua participação diminuiu de 20,1% em 2024 para 16,7% em 2025. Em contraste, a China demonstrou um crescimento significativo, atingindo uma participação recorde de 9,43% nas exportações de pequenos negócios brasileiros, consolidando-se como um mercado estratégico.