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Gestores do Rio Grande do Sul reclamam que burocracia atrasa obras de reconstrução após enchentes

Redação

Gestores públicos do Rio Grande do Sul expressaram críticas às exigências burocráticas que, segundo eles, persistem em atrasar as obras de reconstrução e reparos necessários após as severas enchentes de 2023 e 2024. As declarações foram feitas durante um seminário da comissão externa da Câmara dos Deputados, dedicada a acompanhar os impactos das inundações, realizado na Câmara Municipal de Santo Antônio da Patrulha na última segunda-feira (3).

O prefeito de Caraá, Bolivar Gomes, relatou que o município ainda aguarda a autorização final para a construção de nove pontes e a reconstrução de moradias. Ele detalhou que, embora 50 casas tenham sido solicitadas, apenas 40 foram liberadas, e o processo de definição dos beneficiários contribuiu para o atraso no início das obras. Gomes lamentou que a demora na identificação dos elegíveis tenha consumido um tempo valioso, afirmando que, de outra forma, as construções já estariam em andamento.

Em Santo Antônio da Patrulha, o prefeito Rodrigo Massulo informou que seu município recebeu aproximadamente um terço dos recursos solicitados, e as obras levaram dois anos para serem concluídas. Massulo destacou que, diante da recorrência das enchentes, a prefeitura adotou medidas permanentes para mitigar futuros impactos, como o hidrojateamento contínuo dos bueiros, uma prática antes esporádica.

O relator da comissão externa, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), reconheceu os atrasos, mas também apontou a falta de projetos por parte dos municípios para acessar os recursos do fundo formado com parte da dívida do Rio Grande do Sul com a União, que já soma mais de R$ 15 bilhões. O deputado mencionou que milhares de casas e diques foram construídos e defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 231/19, que visa criar um fundo permanente para a Região Sul. A proposta aguarda votação no Plenário. Pompeo de Mattos comparou a situação com fundos constitucionais de outras regiões do país, que existem há décadas, e ressaltou a importância de um mecanismo similar para o Rio Grande do Sul.

Cecilia Hoff, representante da Secretaria da Reconstrução Gaúcha, corroborou as dificuldades na reconstrução, lembrando que as enchentes de 2024 afetaram praticamente todo o estado. Ela informou sobre a existência de outro fundo, de quase R$ 9 bilhões, destinado a grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), e explicou que muitos projetos precisaram ser revisados devido à magnitude da tragédia. A secretaria também adquiriu quatro helicópteros com visão noturna para resgates e radares meteorológicos.

O presidente da comissão externa, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), encerrou informando que o colegiado já realizou 20 audiências públicas e nove seminários para discutir a questão.

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