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ASSISTA: SK Pecuária aposta em genética Nelore PO, manejo eficiente e valorização dos funcionários

Durante o RuralCast, José Macedo da Silva explicou como seleção genética, alimentação, reprodução e assistência técnica podem aumentar a produtividade das fazendas de Rondônia

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Melhoramento genético ganha espaço no RuralCast

A evolução da pecuária de corte e a importância do melhoramento genético para o aumento da produtividade foram destaques em mais uma edição do RuralCast, podcast do Grupo Amazun exibido no canal do YouTube Olá Rondônia.

Gravada durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho, a entrevista foi apresentada por Adalto Costa e contou com a participação de José Macedo da Silva, proprietário da SK Pecuária.

Com uma trajetória iniciada na década de 1990, José Macedo trabalha com seleção, reprodução e comercialização de matrizes e reprodutores da raça Nelore. O objetivo é disponibilizar genética capaz de melhorar o desempenho dos rebanhos de outros produtores.

Durante a conversa, ele destacou que o crescimento da pecuária não depende apenas da quantidade de animais. O setor precisa investir em produtividade, precocidade, manejo, alimentação, sanidade e qualificação das pessoas que trabalham nas propriedades.

Trajetória na pecuária começou em 1991

José Macedo contou que iniciou seu investimento na pecuária em 1991, após pesquisar o mercado e perceber o potencial de crescimento da atividade no Brasil.

Com experiência ligada ao meio rural, ele passou a adquirir áreas, montar a estrutura da propriedade e formar seu rebanho.

“Em 1991, vi a possibilidade de ampliar o meu leque de negócios. Fiz uma pesquisa de mercado e percebi que a pecuária brasileira cresceria muito”, relatou.

Em 1994, José começou a trabalhar com inseminação artificial. Ele próprio realizava os procedimentos e acompanhava o desenvolvimento do gado.

Em 1999, passou a integrar a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), avançando no registro e na seleção dos animais.

“Comecei a inseminar a fazenda em 1994. Em 1999, associei-me à ABCZ e passei a registrar os animais. Desde então, acompanho a evolução da pecuária e das tecnologias”, explicou.

Nelore PO ajuda a melhorar os rebanhos

A SK Pecuária trabalha com animais Nelore PO, sigla utilizada para identificar exemplares puros de origem, registrados e acompanhados genealogicamente.

O trabalho é voltado principalmente à produção de matrizes e reprodutores para pecuaristas que desejam melhorar a qualidade do próprio rebanho.

José utilizou uma comparação para explicar a função da propriedade dentro da cadeia produtiva.

“Eu tenho a árvore e espalho bons frutos para quem tem vontade, necessidade e interesse em melhorar”, afirmou.

A proposta não é concentrar uma quantidade muito grande de cabeças, mas formar um banco genético qualificado, selecionando características que possam contribuir para o desempenho dos rebanhos comerciais.

Os reprodutores transferem aos descendentes atributos relacionados ao ganho de peso, fertilidade, precocidade, conformação e adaptação às condições da região.

Pecuária mudou com tecnologia e seleção

Na avaliação do pecuarista, a evolução genética e tecnológica reduziu significativamente o tempo necessário para produzir um animal pronto para o abate.

“No início da década de 1990, o boi era abatido com 40 ou 45 meses. Hoje, é possível trabalhar com um animal de aproximadamente 24 meses”, comparou.

A reprodução também avançou. Fêmeas que anteriormente tinham o primeiro parto mais tarde passaram a apresentar resultados em menor tempo, desde que recebam genética, alimentação, sanidade e manejo adequados.

Essa precocidade representa uma vantagem econômica porque diminui o período em que o produtor mantém um animal sem retorno produtivo.

“O nosso trabalho é fazer o animal pesar mais cedo, emprenhar mais cedo e parir mais cedo”, resumiu José Macedo.

Melhoramento genético é um processo contínuo

O proprietário da SK Pecuária ressaltou que os resultados do melhoramento genético não aparecem de maneira imediata.

É necessário selecionar matrizes, escolher reprodutores adequados, acompanhar os descendentes e avaliar quais características devem permanecer no rebanho.

“O melhoramento genético do Nelore é um trabalho contínuo e também demorado”, explicou.

Apesar do tempo necessário, adiar o investimento também significa adiar os resultados.

“O tempo que você vai levar para melhorar o rebanho é o mesmo tempo que passará se decidir não melhorar”, destacou.

Para José, o produtor deve analisar o investimento no reprodutor considerando os resultados gerados durante os anos de utilização e a genética deixada no plantel.

Um touro de qualidade pode produzir diversos bezerros, melhorar a uniformidade e contribuir para o aumento do peso dos animais comercializados.

Produtor precisa selecionar matrizes produtivas

A seleção das matrizes também foi abordada durante o episódio. Segundo José Macedo, o produtor precisa avaliar a capacidade reprodutiva de cada fêmea e evitar manter animais improdutivos somente por aparência ou vínculo emocional.

“Quando se começa a trabalhar com genética, acaba a vaca escolhida apenas pela paixão e passa a permanecer a vaca que produz”, afirmou.

A matriz precisa emprenhar, parir, desmamar um bom bezerro e retornar ao ciclo reprodutivo. Caso isso não aconteça, a permanência do animal pode representar aumento de custos sem o retorno esperado.

A decisão deve ser tomada com base em informações reprodutivas, desempenho, condição corporal e histórico produtivo.

Genética e alimentação precisam caminhar juntas

Um dos principais alertas feitos pelo entrevistado foi que a genética não trabalha sozinha. Um reprodutor de alto padrão não apresentará todo o seu potencial se for colocado em uma propriedade com alimentação insuficiente, água inadequada e manejo deficiente.

“Duas coisas caminham muito juntas: genética e comida”, declarou.

O pecuarista orientou os produtores a observar a qualidade das pastagens, a disponibilidade de água, as cercas, os cochos e a suplementação mineral.

“Não adianta comprar um touro com genética elevada e colocá-lo em um local sem pasto suficiente, água de qualidade e sal no cocho”, alertou.

O melhoramento genético precisa estar acompanhado de investimentos na estrutura produtiva. Caso contrário, o pecuarista pode culpar o animal por um desempenho prejudicado pelas condições da propriedade.

Mais produtividade na mesma área

José Macedo defendeu que o setor busque aumentar a produção nas áreas já utilizadas, aproveitando melhor o solo e as pastagens.

“A grande oportunidade é aumentar a quantidade de animais no mesmo espaço. Precisamos dar à terra aquilo que ela merece”, afirmou.

Isso não significa apenas colocar mais cabeças por hectare. A intensificação precisa ser planejada e acompanhada de divisão de pastagens, correção do solo, disponibilidade de água, suplementação e controle da lotação.

O entrevistado citou a divisão de piquetes e a rotação como estratégias para permitir que o capim tenha tempo de se recuperar.

Quando os animais permanecem continuamente na mesma área, consomem os novos brotos antes que a pastagem consiga se restabelecer. Com a rotação, o produtor organiza o período de ocupação e descanso de cada piquete.

Reprodução deve considerar a realidade da propriedade

A escolha entre inseminação artificial, fertilização in vitro ou utilização de touros precisa considerar a estrutura e os objetivos de cada propriedade.

“Cada propriedade tem a sua particularidade. O produtor precisa analisar e fazer aquilo que funciona melhor para sua realidade”, explicou.

Propriedades com curral adequado, bons corredores, manejo organizado e equipe preparada podem utilizar inseminação e outras tecnologias reprodutivas.

Por outro lado, em propriedades sem estrutura suficiente para conter e movimentar frequentemente as matrizes, a aquisição de um bom reprodutor pode ser uma alternativa mais prática.

“Se não existe estrutura adequada para inseminação ou FIV, uma das melhores opções é comprar um bom reprodutor”, orientou.

José ressaltou que, ao adquirir um touro registrado, o produtor leva ao rebanho a genética de animais de alto valor, diluída entre os bezerros produzidos durante sua vida útil.

Condição corporal influencia a reprodução

A nutrição das matrizes interfere diretamente nas taxas de prenhez. Para responder aos protocolos reprodutivos, a fêmea precisa apresentar condição corporal adequada.

Pastagem insuficiente, água de baixa qualidade e deficiência mineral podem reduzir os resultados, mesmo quando o produtor utiliza tecnologias modernas.

Antes de iniciar um programa reprodutivo, o pecuarista precisa avaliar a condição das vacas, a capacidade de suporte das pastagens e a estrutura disponível.

Na avaliação do entrevistado, não existe uma única solução válida para todas as propriedades. O melhor sistema é aquele que consegue unir resultado técnico, viabilidade econômica e condições reais de execução.

Manejo começa com os funcionários

Um dos pontos mais enfáticos da entrevista foi a valorização das pessoas que trabalham na fazenda.

Para José Macedo, o manejo não começa diretamente nos animais. Ele começa na escolha, no treinamento e no tratamento oferecido aos funcionários.

“O manejo da fazenda começa com o funcionário. Não começa do gado para o funcionário, mas do funcionário para o gado”, afirmou.

O pecuarista destacou que uma propriedade que trabalha com animais de alto valor precisa ter profissionais comprometidos e preparados.

O funcionário é responsável por observar os animais, abastecer cochos, acompanhar a água, identificar problemas, organizar o manejo e comunicar alterações ao proprietário.

“Como alguém pode cuidar de um patrimônio tão grande se não for bem tratado e valorizado?”, questionou.

Valorização da equipe melhora os resultados

José defendeu boas condições de moradia, alimentação, remuneração e relacionamento para quem trabalha na propriedade.

Segundo ele, muitos problemas de mão de obra no campo também estão ligados à falta de valorização por parte dos empregadores.

“A pecuária não deixará de dar resultado por ser uma atividade ruim. Ela terá dificuldade quando o proprietário não valoriza quem trabalha ao seu lado”, declarou.

Na SK Pecuária, a rotina dos colaboradores é organizada para aproveitar os horários mais adequados ao comportamento dos animais.

O funcionário começa cedo, acompanha os cochos, verifica a suplementação mineral, observa a água e realiza o manejo antes dos períodos mais quentes do dia.

“Com o sal no cocho, o bebedouro limpo e tudo organizado, o gado termina de ruminar, vai para o pasto, procura o mineral e depois a água”, explicou.

Esse acompanhamento diário ajuda a prevenir problemas e manter o desempenho dos animais.

Precocidade exige uma base bem estruturada

Durante a conversa, Adalto Costa relembrou uma estrutura técnica utilizada para explicar os pilares da produção pecuária: alimentação, manejo, sanidade e genética.

A genética complementa essa base, mas não substitui os cuidados fundamentais.

Para conseguir animais mais precoces, pesados e férteis, o produtor precisa integrar:

  • Pastagem de qualidade;
  • Água limpa e disponível;
  • Suplementação adequada;
  • Manejo sanitário;
  • Funcionários capacitados;
  • Matrizes férteis;
  • Reprodutores avaliados;
  • Acompanhamento técnico.

Quando esses elementos trabalham juntos, o pecuarista aumenta as possibilidades de vender bezerros mais pesados, produzir fêmeas de reposição e reduzir a idade de abate.

Assistência técnica ajuda nas decisões

Ao final da entrevista, José Macedo orientou os produtores a procurar profissionais e instituições capazes de auxiliar no planejamento da atividade.

“Procure um técnico, um médico-veterinário, a Emater, a Embrapa e os órgãos competentes. Eles existem para colaborar”, recomendou.

O acompanhamento técnico ajuda a identificar as necessidades da propriedade, selecionar animais, montar programas reprodutivos, ajustar a lotação e planejar investimentos.

A assistência também pode evitar que o produtor compre tecnologias incompatíveis com a estrutura disponível ou mantenha animais que não oferecem retorno.

Porto Velho possui potencial pecuário

José Macedo destacou o tamanho do rebanho existente em Rondônia e a importância de Porto Velho dentro da pecuária estadual.

Segundo os números mencionados pelo convidado durante o podcast, o estado possui aproximadamente 18 milhões de cabeças, enquanto o município de Porto Velho reúne um dos maiores rebanhos bovinos municipais do país.

“Com uma quantidade de gado dessa, o melhoramento genético tende a crescer muito”, avaliou.

Na visão do pecuarista, Porto Velho pode ampliar sua participação na produção de bezerros e animais destinados ao abate, desde que o setor avance em genética, manejo, alimentação e assistência.

AGROTEC aproxima produtores e tecnologia

A realização da 2ª AGROTEC também foi elogiada pelo convidado. Para José Macedo, a feira recupera um espaço de encontro entre produtores, empresas, técnicos e consumidores.

“É um grande passo para Porto Velho voltar a ter o movimento pecuário e comercial que sempre teve”, afirmou.

O evento reúne diferentes segmentos, como pecuária, agricultura, máquinas, implementos, alimentos e serviços.

Para o proprietário da SK Pecuária, esse ambiente contribui para a circulação de conhecimentos e para a apresentação de experiências que podem ser aplicadas por outros produtores.

SK Pecuária disponibiliza genética e orientação

A SK Pecuária está localizada no Ramal Linha 21 de Abril, km 19, na região de Porto Velho.

Além de comercializar matrizes e reprodutores Nelore PO, o trabalho desenvolvido por José Macedo busca orientar os clientes sobre pastagem, água, manejo, reprodução e estrutura da propriedade.

“Eu vendo o produto e também trabalho com as pessoas para melhorar a qualidade das propriedades”, explicou.

Os interessados em conhecer a SK Pecuária ou obter mais informações podem entrar em contato com Patrícia, pelo telefone (69) 99297-6839.

Pecuária eficiente depende de genética, estrutura e pessoas

A entrevista de José Macedo da Silva no RuralCast mostrou que o avanço da pecuária exige uma visão integrada.

A seleção genética contribui para produzir animais mais precoces, férteis e pesados. Porém, os resultados dependem da alimentação, do manejo, da sanidade, da estrutura e, especialmente, das pessoas responsáveis pela rotina da fazenda.

Ao compartilhar sua experiência, o proprietário da SK Pecuária reforçou que o produtor não precisa transformar toda a propriedade de uma vez. Ele pode começar realizando ajustes compatíveis com sua realidade.

“O pecuarista não precisa fazer uma mudança completa. Ele precisa fazer ajustes que melhorem sua indústria de produção de bezerros”, concluiu.

Assista ao episódio completo

Acompanhe a entrevista com José Macedo da Silva, proprietário da SK Pecuária, no RuralCast, apresentado por Adalto Costa durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.




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