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ASSISTA: Pró-Aqua fortalece piscicultura e aproxima produtores, cooperativas e frigoríficos em Rondônia

Programa desenvolvido pela UNIR atua na organização da cadeia do pescado, na capacitação de produtores e na criação de novas oportunidades de comercialização

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Programa atua em diferentes etapas da cadeia produtiva

Fortalecer a produção, aproximar produtores dos compradores e criar novas oportunidades para o pescado de Rondônia são alguns dos objetivos do Programa Pró-Aqua, desenvolvido pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR) com apoio do Ministério da Pesca e Aquicultura.

As ações do programa foram apresentadas pela professora associada da UNIR Jucilene Cavali, durante entrevista ao RuralCast, podcast do Grupo Amazun, transmitido pelo canal Olá Rondônia.

Entrevistada pelo apresentador Lenilson Guedes, durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho, a professora explicou que o Pró-Aqua trabalha nos diferentes elos da cadeia produtiva.

“O Pró-Aqua é um programa de apoio ao desenvolvimento da aquicultura em Rondônia. Ele possui três eixos de atuação: junto às indústrias, às cooperativas e, no início da cadeia, ao produtor rural”, explicou.

O trabalho busca organizar informações, identificar os produtores em atividade, orientar a regularização das propriedades e aproximar quem produz das indústrias e dos compradores.

Comercialização é ponto de partida

Segundo Jucilene, as primeiras ações foram direcionadas às agroindústrias de pescado. A decisão partiu do entendimento de que o produtor precisa conhecer o mercado antes de investir ou retomar a atividade.

“Nós iniciamos o trabalho junto às indústrias porque entendemos que, para trabalharmos com o produtor, ele precisa ter uma visão da comercialização do produto”, afirmou.

A equipe realizou um diagnóstico dos frigoríficos e das unidades de processamento existentes em Rondônia. O levantamento ajuda a identificar a capacidade de compra, os mercados atendidos, as exigências sanitárias e as possibilidades de expansão.

De acordo com as informações apresentadas no podcast, Rondônia conta com 11 unidades de processamento de pescado. Entre elas, quatro possuem Serviço de Inspeção Federal (SIF), condição que permite a comercialização interestadual e abre possibilidades para exportação.

O estado também possui unidades integradas ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), incluindo estabelecimentos localizados em Porto Velho.

Localização dos produtores ativos

O Pró-Aqua também realiza um levantamento dos piscicultores que continuam produzindo. A ação é importante porque parte dos produtores deixou a atividade nos últimos anos em razão de dificuldades econômicas, aumento dos custos e insegurança na comercialização.

“Nós temos trabalhado no campo para localizar os produtores ativos, porque tivemos muita desistência no sistema produtivo”, relatou Jucilene.

Segundo ela, Rondônia atravessou um período em que aproximadamente 70% dos produtores chegaram a interromper a atividade. Agora, parte deles começa a retomar a piscicultura de maneira mais cautelosa.

A localização desses produtores permite oferecer orientações, atualizar informações e identificar quem está apto a fornecer pescado para os frigoríficos.

“A gente faz essa orientação, ligando o produtor à comercialização e às indústrias”, destacou.

Autonomia para negociar com compradores

Um dos objetivos do Pró-Aqua é garantir que o produtor tenha acesso aos contatos das empresas compradoras e possa negociar sua produção diretamente.

“Nós passamos a lista dos compradores para que esse produtor tenha autonomia e faça a própria negociação”, explicou a professora.

Além dos contatos comerciais, a equipe auxilia na regularização ambiental e na documentação necessária para o transporte do pescado.

“O que fazemos é auxiliar o produtor a renovar a licença ambiental para que possa retirar a GTA e comercializar de forma independente”, acrescentou.

A Guia de Trânsito Animal (GTA) é um dos documentos necessários para transportar os peixes de maneira regular. Sem licenças e documentação atualizadas, o produtor encontra dificuldades para vender aos frigoríficos e acessar mercados formais.

Manual padroniza os cortes dos peixes

Outra iniciativa apresentada por Jucilene é a elaboração de um manual para padronizar os nomes e as características dos cortes dos peixes redondos produzidos em Rondônia.

Atualmente, um mesmo corte pode receber nomes diferentes, dependendo da empresa ou da região onde é comercializado. Essa falta de padronização pode causar dúvidas entre consumidores, frigoríficos e compradores.

“Desenvolvemos um manual de padronização dos nomes dos cortes dos nossos peixes redondos”, informou.

O material apresenta o nome de cada corte, a parte do peixe de onde ele é retirado e informações nutricionais que poderão contribuir para a elaboração dos rótulos.

“O manual vai padronizar os cortes, os nomes, o local onde cada corte é feito e o valor nutricional para compor os rótulos”, detalhou.

O documento contempla espécies como tambaqui, tambatinga, pacu e pirapitinga e deverá ser utilizado pelas indústrias do setor.

Segurança para comercialização

A padronização pode ampliar a segurança nas negociações e facilitar a entrada do pescado rondoniense em novos mercados. Ao receber um produto com nome e características definidas, o comprador consegue identificar exatamente o corte que está adquirindo.

A homogeneidade dos peixes cultivados também facilita o processamento industrial, pois permite produzir cortes com tamanho e peso mais regulares.

“Para termos uma padronização do tamanho dos cortes, preferimos uma produção homogênea e espécies de cultivo”, explicou Jucilene.

Essa organização é importante para frigoríficos, supermercados, restaurantes e empresas interessadas em contratos de maior escala.

Pescado de Rondônia busca novos mercados

Durante a entrevista, Jucilene falou sobre a comercialização do pescado dentro e fora do Brasil. Algumas indústrias rondonienses já mantêm tratativas comerciais internacionais e participam de eventos do setor.

A professora citou o reconhecimento obtido por um produto elaborado com pirarucu em um evento realizado em Boston, nos Estados Unidos.

“Fomos premiados em Boston com a costelinha de pirarucu”, destacou.

A produção também encontra mercado na América Latina, especialmente em países vizinhos.

“Comercializamos muito na Bolívia e queremos fortalecer o mercado com o Peru”, afirmou.

As novas rotas de integração com o Oceano Pacífico podem ampliar as possibilidades logísticas. Na avaliação da professora, o pescado pode aproveitar corredores comerciais já utilizados por outros produtos de Rondônia.

“Para onde vai a carne bovina, o pescado também pode aproveitar a viagem”, observou.

Capacitação de produtores

O Pró-Aqua mantém projetos de capacitação voltados aos produtores, associações e cooperativas. Os cursos abordam temas necessários para melhorar o controle produtivo e reduzir perdas.

Entre as atividades estão capacitações em análise da água, sanidade dos peixes, manejo da produção e utilização de ferramentas digitais.

“Nós oferecemos treinamento em análise de água, para que o produtor possa fazer o monitoramento, além de cursos de sanidade e manejo”, explicou.

A qualidade da água é determinante na piscicultura. Alterações em fatores como oxigênio, temperatura e acidez podem comprometer o desenvolvimento dos peixes e gerar prejuízos.

Ao aprender a acompanhar esses indicadores, o produtor consegue identificar problemas com antecedência e tomar decisões mais seguras.

Aplicativo auxilia gestão da piscicultura

A equipe do programa também desenvolveu um software para auxiliar o produtor na administração da propriedade.

“Construímos um aplicativo onde o produtor pode alimentar as informações e gerir a própria produção e o custo do produto”, informou Jucilene.

A ferramenta permite registrar dados relacionados a despesas, alimentação, desenvolvimento dos peixes e andamento dos ciclos produtivos. Com essas informações organizadas, o piscicultor pode calcular custos e avaliar melhor os resultados.

A gestão é especialmente importante diante do preço da ração, que representa uma parcela significativa das despesas da atividade.

Unidades demonstrativas em cinco municípios

O Pró-Aqua implantou unidades demonstrativas de produção em parceria com cooperativas de cinco municípios rondonienses:

• Porto Velho;

• Ariquemes;

• Ji-Paraná;

• Ouro Preto do Oeste;

• Vale do Paraíso.

As unidades utilizam tanques circulares e estruturas suspensas para testar modelos produtivos e demonstrar novas tecnologias aos piscicultores.

“Nós montamos unidades demonstrativas de produção em tanques circulares e tanques suspensos”, explicou.

Os espaços funcionam como referência prática para cooperados, estudantes, técnicos e produtores interessados em acompanhar o desenvolvimento dos peixes.

Segundo Jucilene, dias de campo serão realizados para mostrar os resultados e compartilhar as experiências com as comunidades.

Integração entre cooperativas e frigoríficos

As unidades demonstrativas não estão voltadas apenas ao cultivo. O modelo procura conectar as cooperativas aos frigoríficos e às comunidades locais, preparando a produção para chegar ao mercado.

“É aí que integramos a cooperativa com o frigorífico e com a comunidade”, afirmou.

Essa aproximação pode ajudar as cooperativas a planejar a quantidade produzida, compreender os padrões exigidos pelas indústrias e organizar calendários de entrega.

O fortalecimento das organizações também permite negociar insumos coletivamente, reduzir custos e aumentar a capacidade de atendimento aos compradores.

Aproveitamento de resíduos e fertirrigação

O programa estuda o aproveitamento dos resíduos gerados na produção. A água enriquecida com nutrientes pode ser utilizada na fertirrigação de plantas, integrando piscicultura e agricultura.

“Estamos aproveitando os resíduos do peixe para a fertirrigação”, destacou Jucilene.

A fertirrigação utiliza a água da produção para fornecer umidade e nutrientes às culturas vegetais. O sistema reduz o descarte e favorece um modelo mais integrado de produção.

A tecnologia pode ser utilizada em hortaliças, frutíferas e outras culturas desenvolvidas nas propriedades e comunidades atendidas.

Sistema de bioflocos reaproveita água

Outra tecnologia em desenvolvimento é o sistema de bioflocos. Nesse modelo, a própria água do cultivo é tratada e enriquecida com microrganismos que ajudam no equilíbrio do ambiente e podem servir como fonte complementar de alimentação para os peixes.

“Estamos desenvolvendo o cultivo em bioflocos, um sistema que aproveita a própria água”, explicou.

O manejo estimula a formação de bactérias benéficas, que transformam resíduos em partículas aproveitáveis pelos animais.

“A gente fertiliza essa água e desenvolve bactérias que são utilizadas pelo próprio peixe, reduzindo a quantidade e o custo com ração”, acrescentou.

O biofloco pode contribuir para diminuir a renovação da água e aumentar a eficiência em propriedades com limitação de espaço ou disponibilidade hídrica. Entretanto, exige conhecimento técnico e monitoramento constante.

Regularização de cooperativas e associações

O Pró-Aqua também orienta cooperativas e associações na organização de documentos e na regularização institucional.

“A gente tem feito reuniões com as cooperativas, auxiliando na documentação e na regularização”, relatou Jucilene.

Muitas organizações do interior encontram dificuldades para manter seus registros atualizados. Essa situação impede o acesso a editais, convênios e recursos públicos.

“Quando procuramos essas associações, muitas não estão regularizadas. Isso dificulta a possibilidade de receberem recursos”, observou.

O apoio busca preparar as entidades para participar de programas, ampliar a produção e desenvolver estruturas de processamento e comercialização.

Produção estadual tenta recuperar espaço

Jucilene apresentou um cenário desafiador para a piscicultura rondoniense. Segundo ela, o estado chegou a produzir aproximadamente 90 mil toneladas de pescado, mas atualmente registra pouco mais de 50 mil toneladas.

“Nós reduzimos a produção de pescado de 90 mil toneladas para pouco mais de 50 mil toneladas”, afirmou.

A queda foi acompanhada pela saída de produtores. O aumento dos custos, as dificuldades de comercialização e a falta de segurança para vender a produção contribuíram para a retração.

Agora, segundo a professora, os produtores estão retomando a atividade com maior planejamento.

“Os produtores têm retomado com mais cautela, com os pés no chão e já visando as indústrias que estão prontas para receber o pescado”, analisou.

Para Jucilene, a garantia de mercado é fundamental para estimular novos investimentos.

“É fundamental que eles tenham segurança comercial para retomar a produção”, reforçou.

Trajetória ligada ao meio rural

Durante o RuralCast, Jucilene também falou sobre sua ligação pessoal com a produção agropecuária. Natural de Extrema, distrito de Porto Velho, ela é filha de produtores rurais e construiu sua trajetória acadêmica a partir da realidade do campo.

“Eu sou do interior de Rondônia, sou de Extrema e sou filha de produtor rural”, contou.

Professora dos cursos de Engenharia de Pesca e Zootecnia da UNIR, Jucilene desenvolve pesquisas relacionadas à agroindústria do pescado, qualidade da carne, rendimento de carcaça e manejo de pastagens na Amazônia.

A atuação une conhecimento científico, extensão universitária e atendimento às demandas dos produtores.

Informação precisa ainda é um desafio

Na avaliação da professora, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores é saber onde encontrar orientações técnicas confiáveis.

“Nós precisamos trazer os produtores para que eles tenham conhecimento sobre onde buscar informações mais detalhadas”, afirmou.

Para ela, facilitar o acesso à informação pode ajudar o produtor a evitar prejuízos, manter a documentação atualizada, adotar tecnologias adequadas e alcançar os compradores.

“O ponto mais difícil hoje é o produtor ter acesso a uma informação mais precisa”, concluiu.

Integração para fortalecer o pescado de Rondônia

A participação de Jucilene Cavali no RuralCast demonstrou que a recuperação da piscicultura depende da integração entre produtores, cooperativas, universidades, indústrias, órgãos públicos e compradores.

Ao atuar nos diferentes elos da cadeia, o Pró-Aqua busca construir um ambiente mais organizado, no qual o produtor saiba para quem vender, quais padrões precisa atender e como controlar os custos.

As unidades demonstrativas, os cursos, o aplicativo de gestão, o manual de cortes e o apoio à regularização representam caminhos para aumentar a eficiência e agregar valor ao pescado produzido no estado.

Com planejamento, assistência técnica e segurança comercial, Rondônia poderá recuperar sua produção e ampliar a presença de espécies como tambaqui, tambatinga, pacu, pirapitinga e pirarucu nos mercados nacional e internacional.


Assista à entrevista completa no RuralCast, pelo canal Olá Rondônia no YouTube:


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