O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu, nesta terça-feira (29), o registro de Indicação Geográfica (IG) para a renda renascença produzida no município de Poção, em Pernambuco. O reconhecimento, que contou com o apoio do Sebrae, foi atribuído na categoria Indicação de Procedência (IP), valorizando a secular tradição local na confecção dessas peças artesanais e atendendo à solicitação da Associação das Artesãs e Artesãos da Renda Renascença de Poção.
Com essa nova adição, o Brasil passa a contabilizar 171 Indicações Geográficas nacionais registradas, das quais 137 são Indicações de Procedência e 34 são Denominações de Origem. A análise documental do INPI confirmou que o nome geográfico “Poção” alcançou notoriedade no mercado e na sociedade pelo saber fazer e pela qualidade do artesanato em renda renascença, preenchendo todos os critérios estabelecidos pela Portaria Normativa INPI/PR nº 50, de 23 de janeiro de 2026, que regulamenta as condições para o registro das Indicações Geográficas no país.
Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, destacou que o reconhecimento da renda renascença de Poção como Indicação Geográfica valoriza a cultura da região e consolida a abertura de novos mercados, tanto no Brasil quanto no exterior. Ela acrescentou que a renda produzida no município se une ao trabalho de outros artesãos brasileiros que ganham visibilidade no mercado a partir da conquista da Indicação Geográfica, representando um passo importante para proteger o trabalho dessas pessoas de apropriações indevidas e agregar valor a um conhecimento tradicional.
Origem histórica e impacto socioeconômico
A técnica da renda renascença teve sua origem na Europa durante o período renascentista e consiste em um bordado executado manualmente com linha, agulha e lacê — uma fita especial que serve como estrutura para os desenhos.
No Brasil, o conhecimento foi introduzido por colonizadores portugueses e mantido, nos primeiros séculos, no interior de conventos e instituições religiosas. A chegada do ofício a Poção ocorreu na década de 1930, por intermédio de Maria Pastora, que havia aprendido a técnica no Convento Santa Teresa, em Olinda (PE). Maria Pastora transmitiu o aprendizado à artesã Elza Medeiros, conhecida como Lala, que por sua vez difundiu o ensino entre os habitantes da localidade. No contexto histórico da época, severamente impactado pelas secas, a renda renascença emergiu como uma importante alternativa para a geração de renda e sustentabilidade econômica das famílias da região.
A preservação da técnica ocorreu predominantemente de forma oral e comunitária, convertendo-se em elemento central da identidade cultural nordestina. A cadeia produtiva destaca-se pelo protagonismo das mulheres na liderança econômica e na manutenção desse patrimônio imaterial.
Projeção de mercado e avanços institucionais
Reconhecida oficialmente pelo Governo de Pernambuco como a “Capital da Renascença” desde 2011, a cidade viu seu artesanato expandir as fronteiras locais. Hoje, o vestuário, os itens de decoração e as peças de arte produzidas no município abastecem tanto o mercado nacional quanto o internacional.
O reconhecimento do INPI segue-se a outra conquista institucional recente do município. Em julho, a renda renascença foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).