Destaque

Negacionismo impulsiona sarampo nos EUA e representa ameaça ao Brasil

Redação

Alterações no calendário vacinal dos Estados Unidos, motivadas por diretrizes do governo Donald Trump, são apontadas como fatores centrais para o pior surto de sarampo no país em mais de três décadas. Com mais de 4,4 mil casos confirmados e três mortes registradas este ano, o cenário revela que 98% dos infectados não possuíam o esquema vacinal completo. Para o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil, Eder Gatti, o retrocesso observado em solo americano representa uma ameaça a todo o continente.

O Ministério da Saúde brasileiro monitora a situação, dado que o aumento da circulação do vírus no exterior pressiona o sistema de saúde nacional. Embora o Brasil não apresente transmissão sustentada desde 2024, a manutenção do certificado de eliminação do sarampo, conquistado após esforços de vigilância e aumento nas coberturas vacinais, permanece como uma prioridade estratégica.

Impactos da desinformação

Em agosto, o governo dos EUA reduziu o número de imunizantes recomendados para crianças e determinou o fracionamento da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Especialistas da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) alertam que a medida carece de base científica e é tecnicamente inviável, uma vez que os componentes individuais não são produzidos há quase duas décadas.

Juarez Cunha, diretor da SBIm, destaca que a desinformação propagada, incluindo alegações infundadas sobre a relação entre vacinas e autismo, gera confusão e reduz a confiança da população. O impacto dessas narrativas já é sentido no Brasil, onde profissionais de saúde relatam resistência de pais em maternidades quanto à aplicação da vacina contra a hepatite B, baseando-se em mudanças de diretrizes adotadas pelo governo americano.

Desafios da vigilância

O sarampo é uma doença de alta transmissibilidade, o que torna a imunidade coletiva fundamental para proteger grupos vulneráveis, como recém-nascidos e pessoas imunossuprimidas. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) reporta mais de 56 mil casos no continente, com pelo menos 80 óbitos.

No Brasil, a estratégia de resposta envolve o bloqueio vacinal imediato em áreas com suspeita de infecção. Em São Paulo, cerca de 4 milhões de doses extras foram aplicadas este ano. Especialistas reforçam que a complacência, gerada pela percepção de que a doença foi erradicada, é um dos maiores riscos para a sustentabilidade das taxas de cobertura vacinal, que devem ser mantidas acima de 95% para garantir a segurança da população.

play_circleTV ao Vivo

AO VIVO

Comentários

Deixe sua opinião sobre este conteúdo usando sua conta do Facebook.

Notícias relacionadas